ECONOMIA - Quais os efeitos para o Brasil com o ‘Dia da Libertação’ tarifária dos EUA?

Expectativa está na abrangência de produtos afetados pelos anúncios prometidos por Trump para esta quarta-feira, 2 de abril; País é um exportador de matérias-primas para os Estados Unidos


Trump cultivou, entre os países e os segmentos, suspense sobre o tarifaço prometido para este 2 de abril. | 📷 Mark Schiefelbein/AP

O governo e empresários brasileiros aguardam os anúncios prometidos por Donald Trump para esta quarta-feira, 2 de abril, chamada pelo presidente americano de o “Dia da Libertação”, com tarifas “recíprocas” país por país. Antes da definição das medidas, a expectativa é sobre como elas podem afetar produtos brasileiros exportados aos EUA.

O item de maior impacto nas exportações brasileiras para o parceiro comercial envolve óleo bruto de petróleo, que representa 14,3% da pauta. Os EUA ainda respondem por 12,9% do total exportado pelo Brasil dessa produção.

Um setor que pode sofrer mais com o aumento de tarifas, no entanto, são os produtos semiacabados de ferro ou aço. Apesar de representar 8,8% da pauta completa para os EUA, 76,2% das exportações desses itens pelo Brasil vão para o território americano. No dia 12 de março, tarifa de 25% sobre a exportação de aço e alumínio brasileiros para o mercado americano entrou em vigor, segundo confirmou a Casa Branca.

A lista de produtos mais importantes exportados para os EUA é dominada por commodities (matérias-primas) e outros itens com preços cotados internacionalmente em bolsas de valores. As duas exceções entre os 10 mais vendidos pelo Brasil são aeronaves, na terceira posição, e equipamentos de engenharia e para construção, em oitavo.

Há uma pressão antiga dos EUA pela redução do imposto de importação aplicado pelo Brasil sobre o etanol americano, que é de 18%, para entrar no País, enquanto o governo americano aplica tarifa de 2,5% na importação do produto brasileiro, feito à base de cana-de-açúcar.

Trump considera o porcentual muito elevado, impedindo a entrada do produto americano, produzido à base de milho, no mercado nacional. O relatório anual do escritório de representação comercial dos Estados Unidos — United States Trade Representative (USTR), em inglês — sobre barreiras comerciais divulgado na segunda-feira, 31, reforçou a relevância que o etanol tem e terá nas negociações comerciais com o Brasil.

Apesar de considerar ser difícil fazer qualquer previsão sobre os anúncios de Trump, o presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, acredita que os impactos tendem a cair nos produtos manufaturados.

“As commodities brutas não devem sofrer sobretaxação, por que elas têm preços definidos pelo mercado importador e pelas bolsas, e não pelo Trump. Se taxar esses produtos, ele estará elevando os custos para os EUA”, afirma. “O meu princípio, por enquanto, é esse. Mas tudo ainda está muito indefinido e imprevisível, porque os números divulgados até agora para tarifas são muito loucos. São formados por impulso, não têm base técnica”.

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